quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Custo das Adesões

Naquele país distante, em uma das suas províncias, um prefeito recém eleito precisava construir maioria na câmara de vereadores. O processo eleitoral acabara de ser encerrado, o futuro alcaide saira das urnas com ampla margem de votos, mas com uma grande minoria dentro do poder legislativo.

O vice-prefeito eleito foi incumbido de conversar com os parlamentares eleitos e reeleitos. As conversas, obviamente, basearam-se no atendimento das necessidades dos políticos: nomeação de parentes e agregados, indicações de correlegionários de confiança em alguns cargos chaves, execução de alguns serviços em suas bases e outras coisitas.

O acordo para compor a base governista acabou sendo fechado em 40.000 Rublos, a moeda local. Cada parlamentar que aderisse receberia 40.000 rublos em nomeações para distribuir com o seu pessoal. Por essa lógica, um vereador poderia nomear 40 pessoas a 1.000 rublos por mês, uma espécie de mensalão da adesão como se diz aqui no Brasil.

Cada um dos novos adesistas tratou de buscar o melhor discurso para justificar a mudança de lado e para isso contou com o apoio técnico do pessoal da comunicação do governo. Entrevistas foram marcadas e lá se foram os membros do grupo tentar convencer a opinião pública de que o que os movia unicamente era o interesse da cidade.

Dentro do grupo de adesistas, havia figuras que tinham ocupado postos chaves dentro do governo recém derrotado, outros que tinham ligações figadais com o prefeito que estava deixando o poder e outras situações que não dava para entender o movimento dessas figuras, mas o importante era sobreviver politicamente e manter-se com a boca nas tetas do governo, que apesar do discurso de austeridade, já começava trilhando os mesmos caminhos dos seus adversários que outrora eram criticados.

Houve também um outro tipo de adesão mais discreta: alguns aderiram extraoficilamente. Esse grupo buscou nos bastidores resolver os seus problemas, mas sem escancarar publicamente o atrelamento. Era um motorista que recebia uma gorda gratificação, a mãe pensionista que teve os seus gordos proventos atualizados, o patrocínio para uma festa na base eleitoral e outras formas de se atrelar sem chamar a atenção. Em troca, esse grupo seria "lite", não bateria de frente, fugiria nas votações chaves, usando a velha frase do "estou chegando" ou "estou no estacionamento" para justificar aos colegas a fuga das votações.

Para concluir, gostaria de deixar claro que qualquer semelhança com personagens reais, terá sido mera coincidência.

Assim caminha a humanidade !

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