sábado, 14 de maio de 2011

Nessa luta entre governo e veículos, não tem bobinhos

O cidadão mais atento tem acompanhado um embate entre alguns poucos veículos e os governos do Estado e da Prefeitura de João Pessoa. Sobre o tema, alguém pode estar querendo entender o que pode estar havendo nos bastidores. Ao longo desse texto vou tentar fazê-los entender.

Os veículos de comunicação foram acostumados a serem contemplados com gordas fatias da verba de comunicação em troca de um tratamento “atencioso” dentro das redações. Por atencioso, quero dizer dar um tratamento diferenciado para as notícias que possam trazer imbróglios políticos para a gestão.

Como os veículos fazem esse tratamento especial? São várias formas sutis que visam não deixar o governo em uma situação ruim perante a opinião pública: não dar a notícia; dar a notícia sem maior destaque; dar a notícia, mas dar maior destaque à defesa do governo; desqualificar a denúncia e/ou os denunciantes.

Em troca desse tratamento especial, o governo concede os seus favores: profissionais são contratados nas assessorias das repartições públicas; seus familiares são acomodados no governo também; gordas fatias do dinheiro público são transferidas para os veículos todo santo mês com precisão britânica.

Historicamente, a coisa funciona na base de um acordo de um valor mensal que deve ser pago de formas variadas: publicidade governamental, patrocínio de programas e publicidade das empresas do governo. Diz a lenda, que já houve casos de ser comprada participação societária em veículo para pagar com verba pública.

Só para que o(a) leitor(a) tenha uma idéia, vamos dar uma noção de preços: uma página de jornal que é comprada por uma empresa privada por R$ 2.000,00, é paga pelo governo por valores que superam os R$ 10.000,00 , já tendo havido casos em que se pagou quase R$ 20.000,00, sendo importante dizer que esses valores são praticados há anos com a conivência do Tribunal de Contas e do Ministério Público.

Os profissionais mais influentes recebem “camufladamente” verbas públicas em polpudos cachês mensais que beiram R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por mês, enquanto que o trabalhador comum sofre muito para receber um mísero salário mínimo. Como acontecia co Marcos Valério, o pessoal das agências fica com o encargo de viabilizar a “lavagem da roupa suja”.

Todas as vezes que alguém sai fora do “script”, há um mal estar e isso pode progredir para um confronto ou ser contornado pelos apagadores de incêndio. No momento, não sabemos se o conflito atual vai ser contido ou se vamos avançar para uma briga mais encorpada. O que sei é que eles sempre se acertam e, invariavelmente, sempre sobra para o contribuinte pagar a conta.

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