quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Inflação, juros, memória inflacionária e a mídia

As pressões sobre o governo Dilma Roussef para manter a taxa SELIC no atual patamar de 12% é enorme e conta com um grande apoio, principalmente, da grande mídia nacional. O governo Lula ameaçou colocar os juros em níveis civilizados, mas não conseguiu ao longo dos seus 8 anos de governo e grandes índices de aceitação. Por que será? Você já parou para pensar sobre essa questão ?

O brasileiro de média idade tem a lembrança amarga da convivência com a inflação, aliás, hiperinflação. Chegamos a ter índices mensais da ordem de 84% ! Ninguém sabia ao certo o preço das coisas. As maquinetas de remarcação estavam o tempo todo rondando as prateleiras dos supermercados, gerando verdadeiras batalhas entre os clientes e os funcionários responsáveis pela remarcação. O brasileiro sabe bem o que é conviver e sofrer com uma inflação mensal de alguns dígitos, fazendo com que tenhamos uma memória inflacionária muito viva.

Recentemente, esse trauma é usado para chantagear a população e o governo para que sejam mantidos os níveis da taxa SELIC, que remunera o capital dos grandes bancos, detentores dos títulos da dívida pública do governo brasileiro. Os bancos têm interesse em uma SELIC alta porque isso garante uma grande e boa rentabilidade de bilhões de reais todos os meses, remunerando capital emprestado. O governo vem mantendo uma receita de efetivar um superávit primário na casa de 3,5% do PIB, totalizando só este ano algo em torno de R$ 90 bilhões de reais destinados ao pagamento de juros da dívida.

Nos EUA, cobra-se 0,25% (zero, vinte e cinco por cento) ao mês de juros para os empréstimos concedidos. Uma taxa SELIC de 12% com uma inflação na casa de 6%, contabilizando uma taxa de juros reais na casa de 6% ao mês, totalizando juros simples de 144% ao ano, totalizando uma relação a maior de mais de 500 vezes para nós, fazendo com que os bancos brasileiros estejam entre os mais rentáveis do mundo. Se analisarmos as taxas do cheque especial, do crediário ou dos cartões de crédito, a relação será ainda muito maior.

Quando o Banco Central sinaliza baixar os juros, imediatamente são pautadas, na grande mídia, reportagens sobre os riscos de alta da inflação e a superação das metas inflacionárias inicialmente previstas. Passamos, pelo menos, uma semana sendo bombardeados pelas reportagens e análises dos economistas dando conta do risco do recrudescimento do fantasma da hiperinflação no Brasil, deixando-nos pensar o quanto pesa no orçamento das grandes empresas midiáticas a verba publicitária dos grandes bancos com as suas belas e constantes campanhas.

A inflação tem sua origem no consumo alto e na incapacidade de atender a demanda cada vez mais crescente, mas precisamos reagir. O que você está fazendo para evitar a volta da inflação ? Eu, por exemplo, já deixei de comprar o coco verde na praia porque subiu de 1 para 2 reais por conta da iminência da chegada do verão. Outra medida dessa cruzada pessoal foi trocar de salão no corte de cabelo por conta de um aumento de 25%, tendo encontrado outro profissional no qual pago menos do que pagava antes do aumento. Faça a sua parte, já.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

NO JOGO DE INTIMIDAÇÃO À OPOSIÇÃO, VALE TUDO.

É pública e notória, pelo menos para os mais vivazes observadores, a prática dos governos do PSB de tentar intimidar e desmoralizar os membros das bancadas de oposição na casas legislativas nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Essa prática foi inaugurada na gestão do MAGO em João Pessoa e vem sendo posta em prática desde 2005 em larga escala. Eu mesmo fui vítima ao longo dos meus quatro anos de mandato na Câmara de João Pessoa. Denunciei no plenário mais de uma vez, com provas, mas não consegui ser ouvido pelas autoridades “competentes”. Numa dessas vezes, apresentei alguns releases “assinados” eletronicamente por um jornalista ocupante de alto cargo de confiança na SECOM do município. Os textos eram imediatamente reproduzidos nos grandes veículos por conta da força da verba de comunicação da prefeitura pessoense. Para dar mais credibilidade aos testos, inventaram até uma falsa entidade chamada UNIÃO DAS ENTIDADES DA PARAÍBA, que, na época, sequer existia.

Recentemente, a cidade de João Pessoa foi inundada por placas de outdoors com as fotos dos deputados da bancada de oposição na assembléia legislativa que ousaram fazer a discussão do projeto de permuta dos terrenos enviado pelo “Deus Sol” para aprovação. Não vejo nada de desabonador em cobrar prazo e explicitação da finalidade da permuta para construção do shopping de Mangabeira. Essa de acreditar na palavra do empresário e do governado é conversa para “boi dormir”, afinal, de boas intenções o inferno está cheio.


Essas placas são apenas a ponta do iceberg. Muitos “profissionais da imprensa”, se é que podem ser chamados assim, já vêm trabalhando sistematicamente para prejudicar a imagem dos adversários do regime ditatorial, usando espaços bancados pelo governo em rádios, jornais, portais e outros meios.

Alguns deputados têm aventado a idéia de abrirem uma CPI para investigar a fonte de financiamento da campanha de outdoor “patrocinada” pelo Fórum em Defesa de Mangabeira, que assumiu a paternidade da idéia de estampar as fotos dos parlamentares da oposição que só estavam cumprindo com o seu papel. Na minha humilde opinião, é pura perda de tempo. Não vejo dificuldade nenhuma em “arranjar” cobertura para esse pagamento desses quase vinte mil reais. No Brasil, o staff dos gestores têm resolvido coisas muito mais complexas e difíceis de explicar, imagine só a bagatela de vinte mil para umas plaquinhas! Além disso, o faturamento de outdoor é feito para mais de 30 dias, dando tempo de fazer os ajustes necessários.

Um aspecto curioso dessa história é a trajetória política de alguns membros do tal Fórum. São figurinhas carimbadas do meio político, useiros e “vezeiros” de ocuparem espaços para si e para os seus nos gabinetes parlamentares e nos governos, incrivelmente nos mais amplos espectros ideológicos.

Fazer oposição é uma faixa de atuação política perigosa na Paraíba, principalmente quando os intolerantes estão no poder !