sábado, 21 de janeiro de 2012

Por que cortar vagas em instituições de ensino é crime de lesa-pátria

Se a lógica de fechar cursos insatisfatórios vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica?

Gustavo Ioschpe

No apagar das luzes da gestão Haddad, o Ministério da Educação decidiu cortar 50 000 vagas de cursos universitários de “baixa qualidade”, que não tinham atingido a nota mínima no mecanismo de avaliação do ministério. Mais de 30 000 das vagas cortadas são da área de saúde. A lógica dos cortes é elevar a qualidade do sistema universitário, fazendo com que as melhores instituições possam crescer adicionando as vagas subtraídas das más instituições e a população seja protegida de profissionais despreparados.

A maioria das pessoas parece concordar com a medida, e até jornais liberais a apoiaram em editorial. Se você concorda com ela, gostaria de ir um passo adiante e recomendar que também sejam cortadas todas as vagas de escolas de educação básica de má qualidade. Se a lógica vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica, que é certamente ainda mais importante para o país e açambarca um número consideravelmente mais alto de alunos (51 milhões, contra 6 milhões do ensino superior)? O corte de matrículas na educação básica faz muito mais sentido do que no ensino superior. Primeiro, porque, enquanto os alunos da educação superior são jovens e adultos que têm a capacidade cognitiva para passar por todo um sistema educacional e também por um vestibular ou Enem e, portanto, possuem todas as condições de saber qual é a qualidade da faculdade em que estão ingressando, os alunos que entram em uma escola na 1ª série têm reduzidas (para não dizer nenhuma) condições de saber a qualidade daquela escola. O primeiro indicador oficial de qualidade de uma escola, o Ideb, é divulgado a partir do 5º ano (o MEC tem outro, que mede a alfabetização nas primeiras séries, mas se recusa, para não desagradar às corporações do ensino, a torná-lo compulsório ou publicar seus resultados). Em segundo lugar, frequentar o ensino superior é uma escolha, enquanto a educação básica é compulsória; é mais lógico proteger alguém de um mal obrigatório do que de outro, opcional. Finalmente, faz um grande sentido financeiro adiantar a extinção das vagas. Se quem será mau profissional deve ficar na ignorância, faz mais sentido começar o corte lá pelo 3º ou 4º ano da escola. Como é óbvio que um aluno analfabeto jamais poderá ser um profissional competente, para que gastar anos de sua vida e muitos reais com merenda, transporte, livros, professores e escolas se ele já está condenado? A maioria dessas pessoas vai sair da escola mesmo ao longo dos anos — temos 3,2 milhões de alunos na 1ª série do ensino fundamental, mas só 2,2 milhões no último ano do ensino médio —, então por que não tornar o processo mais objetivo e chancelado pelo governo, em vez de causar prejuízos aos cofres públicos e perda de tempo e dinheiro aos alunos e seus pais?

Talvez você esteja pensando que a educação é um direito do cidadão; não poderia, portanto, ser suprimido. Em tese, concordo. Mas veja os resultados da Prova ABC, aplicada no ano passado pelo Inep e por ONGs em alunos do 3º ano: ela mostrou que quase 60% dos estudantes não aprendem o mínimo esperado para essa série em matemática e quase 45% em leitura. Não dá para chamar de “educação” o que ocorre em pelo menos metade das nossas escolas, portanto. Cortar vagas, nesses casos, não seria homicídio, mas eutanásia.

Como você gosta do método do MEC para o ensino terciário, certamente não se oporá à sua utilização na educação básica. O MEC corta vagas dos cursos que tiveram notas 1 e 2 no Índice Geral de Cursos (IGC). Na educação básica, o índice semelhante é o Ideb. Diferentemente do IGC, que vai de 0 a 5, o Ideb vai de 0 a 10. Para chegar ao mesmo nível de qualidade nas escolas, basta cortar as vagas daquelas que têm notas de 0 a 4 no Ideb, portanto. Como a média do país no Ideb está em torno de 4, e como a distribuição dessas notas deve ser gaussiana, estimo que cortar vagas das escolas com Ideb igual ou menor que 4 subtrairia aproximadamente metade do total de alunos na educação básica. Assim, em pouco tempo, provavelmente nem teríamos mais de cortar vagas nas universidades, pois todos aqueles que passassem pela faxina e chegassem ao ensino superior certamente seriam muito capacitados. Também acabariam os problemas de inflação de salários em profissões como babás, empregadas e peões da construção civil, pois o que não faltaria seria gente totalmente ignorante no mercado.

Claro, o que vai acima é um exercício de absurdo. As pessoas só não o percebem dessa maneira quando é aplicado ao ensino superior porque estamos falando de 50 000 pessoas, e não de 50 milhões. Na verdade, nem são 50 000 as pessoas afetadas, porque, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, 73% das vagas cortadas estão ociosas, ou seja, as instituições as oferecem, mas os alunos não as preenchem.

Cortar vagas em instituições de ensino, no Brasil de hoje, é não apenas uma estupidez, mas crime de lesa-pátria. Porque o Brasil está fracassando terrivelmente em formar jovens com ensino superior, que são — e serão cada vez mais — determinantes para o desenvolvimento do país. O Brasil matricula pouco mais de 20% de seus jovens no ensino superior. Alguns de nossos vizinhos latino-americanos, como Peru, Chile, Venezuela e Uruguai, têm taxas de matrícula que são o dobro. Países da Europa têm taxas de matrícula na casa dos 50% a 70%. E alguns países, como Coreia do Sul, EUA e Finlândia, estão chegando perto da universalização do ensino superior. Imagine para que países irão os empregos com maiores salários, que dependem da capacidade de geração de bens e serviços de alto valor agregado. Imagine que países desenvolverão a pesquisa tecnológica inovadora. Nós ou eles?

A ideia de que é bom cortar vagas é uma mistura de preguiça intelectual com realismo mágico. Porque as pessoas ouvem falar que uma enfermeira matou um paciente ao colocar vaselina em vez de soro na injeção e então, indignadas e pensando com o fígado, bufam: “Precisamos proteger a sociedade de profissionais como esses! Vamos atacar o problema na fonte, fechando as más escolas formadoras!”. O.k. Vamos presumir que o IGC seja um bom indicador para medir a qualidade dos cursos universitários (não é) e também que o principal culpado pelo fato de a vaselina ter sido usada no lugar de soro seja a formação da enfermeira, e não a desorganização do hospital, o cansaço da enfermeira ou simplesmente a falibilidade humana. Então cortamos a vaga, e evitamos que os “maus profissionais” se tornem enfermeiros, médicos ou contadores — sim, o MEC cortou vagas dos cursos de contabilidade, já que todos nós sabemos que um contador incompetente pode tirar milhares de vidas (?). Multiplique isso por 1 000 ou 50 000. O que acontece? Digamos que cada “mau profissional” atenda dez clientes por dia. Então serão 500 000 clientes desatendidos por dia. Não com um mau atendimento, com um atendimento um pouco abaixo do ideal: zero. Em vez de terem maus contadores, médicos ou enfermeiros, as pessoas não terão nenhum. O que acontece quando são subtraídos de um mercado profissionais para os quais há demanda? Se há uma economia de mercado, em que os preços se reajustam livremente, o preço cobrado pelos profissionais que ficam no mercado sobe. Para os ricos, isso não fará muita diferença. Mas para os pobres o aumento de preço pode ser a diferença entre ter condições de ser atendido e não ter. Se os preços forem controlados, como no sistema público, por exemplo, as enfermeiras e os médicos que ficarem não poderão cobrar mais, mas terão de atender mais pacientes. Como o tempo de trabalho é finito e a oferta de gente qualificada é menor do que a demanda por seus serviços, isso significa que os pacientes demorarão mais para ser atendidos, ou morrerão antes do atendimento. É fácil ficar indignado com vaselina na seringa, porque vira notícia. Mais difícil é lamentar os milhares de casos anônimos de gente que morre em casa por não ter atendimento médico ou por ser atendida por um ótimo médico estafado por ter de dar conta de uma demanda sobre-humana. Esses casos permanecem no limbo. Assim como o dos milhares de presos pobres e inocentes que não podem pagar um advogado e em locais onde não há defensores públicos que cheguem.

O realismo mágico a que me referia é o de pessoas que acreditam que o mundo é binário, em que há profissionais bons e ruins, instituições boas e ruins, e que, se cortarmos as instituições ruins, é claro que suas vagas serão ocupadas pelas instituições boas, que formarão bons profissionais. Mas a realidade é mais complexa.

O aluno que frequenta uma universidade mal avaliada não o faz porque é burro ou está sendo enganado, e sim porque aquela é a melhor instituição em que conseguiu entrar, ou a mais barata com que seu bolso pode arcar. Se essa vaga for cortada, portanto, ele não vai estudar na USP nem na FGV. Vai ficar sem estudar. A tônica de um país em desenvolvimento, como o nosso, é justamente a existência de desequilíbrios: há mais demanda do que oferta, e não há gente qualificada para atender a todos. Não só na medicina, mas em todas as áreas, do conserto do carro ao transplante de medula. Não há como gerar atendimento de Primeiro Mundo a todos porque simplesmente não há gente que chegue com qualificação de Primeiro Mundo. É demagogia querer oferecer uma sensação de proteção contra erros. Erros acontecerão. A questão não é o que fazer para acabar com eles, porque isso é impossível, mas sim o que fazer para minorá-los. E a saída certamente passa por ter mais gente com alguma qualificação, não menos. É melhor ter gente com qualificação insuficiente do que com qualificação nenhuma. Às vezes digo isso e as pessoas me perguntam: “Mas você gostaria de fazer uma ponte de safena com um médico formado por uma dessas universidades caça-níqueis que ficam em cima de uma padaria?”. É claro que não. Nem eu nem ninguém. Num mundo ideal, só gostaria de ser operado pelo melhor médico do mundo naquela especialidade. Mas no mundo real a maioria das pessoas não terá dinheiro para se operar com o melhor do mundo, e, mesmo que tivesse, esse profissional não teria tempo para atender a todos. No mundo real, para grande parte das pessoas, ou elas vão ser operadas pelo médico ruim ou não vão ser operadas por ninguém. Se eu estivesse num avião e sofresse um infarto, é claro que gostaria que o meu vizinho de poltrona fosse um cardiologista renomado. Mas, se não tiver essa sorte, prefiro que o vizinho seja um médico de quinta categoria, ou até mesmo um aluno dessa universidade-padaria, a que seja alguém que teve de virar carteiro porque, justo no ano em que iria prestar o vestibular para medicina na única faculdade em que conseguiria entrar, veio um burocrata de Brasília e resolveu cortar aquela vaga.

Gustavo Ioschpe é economista

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DICAS PARA RESOLVER QUESTÕES OBJETIVAS



Vamos apresentar uma sequencia de passos para melhorar o seu desempenho nas provas objetivas, que consistem em provas nas quais se tem questões com um enunciado do problema e algumas alternativas para que se possa determinar a resposta correta.


Estamos a disposição dos alunos para contato através: Twitter: @professorpaiva; Facebook: @SeverinoPaiva; Linkedin: Severino Paiva ou e-mail: paiva.professor@gmail.com .


Vamos às dicas:


1 – Calcule antecipadamente o tempo disponível para cada questão da prova.

2 – Toda prova tem questões mais fáceis. Identifique-as e inicie a resolução por elas ou então comece pela prova que corresponda a disciplina na qual você é mais forte.

3 – Leia atentamente a questão para entender o que de fato ela pede. Nunca resolva uma questão sem analisar todas as alternativas, evitando as opções “casca de banana”, que visam apenas confundir o candidato.

4 – Marque com um pequeno ponto a alternativa que julgar correta. Não é bom considerar a primeira resposta obtida como a definitiva e por isso o pontinho indica qual a resposta, mas dá margem para uma posterior correção.

5 – A questão em que você não conseguir identificar rapidamente a resposta, deve ser deixada para um segundo momento. Um minuto é um bom tempo para saber se é ou não possível resolver a questão proposta.

6 – Procure avaliar todas as questões seguindo os passos 3, 4 e 5. Exerça controle sobre o tempo restante para não se deixar surpreender com o término do tempo previsto para a prova.

7 – Confirme as suas respostas anteriores através de uma repassada em cada questão. Lembre-se da etapa 5 para não perder tempo em demasia com a revisão de uma única questão.

8 – Ao terminar de reavaliar todas as questões, tendo confirmado suas escolhas iniciais, comece o procedimento de marcação do cartão-resposta para as questões que você tem certeza de tê-las resolvido. Ao marcar a questão no cartão, elimine-a das suas preocupações marcando-a com um X bem grande de tal forma que ao manusear novamente o caderno de questões, você não perca mais tempo com a mesma.

9 – Aproveite para relaxar um pouco, respirando fundo, espreguiçando-se, alongando, pensando em coisas boas. Se ainda houver questões não resolvidas, volte ao passo 2 e reinicie o processo, detendo-se apenas naquelas que ainda não foram resolvidas.

10 – Neste ponto, ficamos apenas com as questões que não conseguimos resolver de nenhuma forma. Chegou a hora do chute, porém não vá logo calçando as chuteiras e dando bicudos para tudo que é lado. Faz-se necessário analisar um pouco mais as mesmas e suas alternativas para que possamos eliminar algumas delas e com isso aumentarmos as nossas chances de acerto. Observe que às vezes você não tem certeza da resposta correta, mas sabe que uma ou mais alternativas não podem ser a resposta, sendo essas as alternativas que você deve descartar imediatamente. Fique atento também para saber quais alternativas apareceram mais e menos no cartão-resposta.

domingo, 15 de janeiro de 2012

ESPECULAÇÕES EM TORNO DA RENÚNCIA DE AGRA

A cidade de João Pessoa foi surpreendida pelo anúncio da renúncia do prefeito Luciano Agra à reeleição em 2012. Uma carta aberta à população apresenta algumas explicações, mas não justifica.

Os rumores de uma possível desistência já vinham atormentando o prefeito nos últimos meses. Alguns membros do PSB também já vinham adotando uma linha de candidatos alternativos em aparições na mídia, gerando especulações diversas.

Nas últimas horas, correm boatos insistentes de um acordo fechado com o PT com o aval da instância nacional no sentido de que Luiz Couto seria o candidato com Estelizabel ou Bira na vice. Essa possibilidade tiraria Luciano do caminho e traria o PT para a coligação governista. Além disso, na última semana tivemos uma pesquisa na rua com esses nomes sendo oferecidos na pesquisa estimulada. Configurando-se essa linha de acordo com a cúpula petista, teremos mais uma rasteira de Rodrigo Soares em Luciano Cartaxo em menos de 2 anos. Esse acordo com Couto na cabeça de chapa permitiria também a ascensão de Jeová à Câmara Federal.

Outra linha sucessória é de uma candidatura oriunda dos quadros do PSB, sendo os nomes mais cotados os de Nonato Bandeira, Bira e Estelizabel.

Outra possibilidade para a renúncia é a de Agra querer blefar para conseguir a unidade em torno do seu nome, mas isso já deu errado com outros personagens, sendo o mais famoso o caso de Jânio Quadros na presidência em 1961.

De certo, neste momento, é que a oposição, nas figuras de Cícero e Maranhão, sai fortalecida desse episódio porque se o titular do cargo titubeava nas pesquisas, imagine alguém que sai depois nessa corrida eleitoral.

Devemos também lembrar a dificuldade histórica de Ricardo em transferir votos para os seus candidatos. Em 2004, 2006 e 2010 não elegeu ninguém mais próximo, tendo muita dificuldade de fazer a transferência dos votos para os seus candidatos, sendo uma dificuldade a mais para essa nova candidatura.

Neste momento, buscam-se os reais motivos da renúncia. Escândalos, fritura aliada, dificuldades de expressar-se, falta de carisma, problemas de saúde, resultados ruins nas pesquisas de intenção de votos, dentre outros, podem ser possíveis explicações. Os próximos dias devem permitir uma avaliação mais próxima do que realmente aconteceu nos bastidores.