segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA ÊNFASE NAS OBRAS AO INVÉS DO FOCO NAS PESSOAS ?


Ao longo da nossa história, o povo brasileiro tem associado boa gestão à realização de obras de engenharia, as famosas “obras de pedra e cal”, gerando uma distorção na avaliação da qualidade dos gestores públicos de uma forma geral. Quanto maior a obra, maior a sua visibilidade, sendo  maior a possibilidade de o gestor autor da obra ser rotulado como um bom administrador público.

Esse erro de avaliação faz com que nossos gestores fiquem buscando sempre a próxima obra que vai impressionar o seu eleitorado sem terem a preocupação com a real serventia da obra ou com a famosa relação custo/benefício tão visada quando se fala de investimentos feitos pela iniciativa privada.

Recentemente, a nível nacional, quase embarcamos em um projeto megalomaníaco da turma do PT que pretendia construir um “trem bala” ligando o Rio de Janeiro a São Paulo com orçamento inicial previsto em trinta e três bilhões de reais. Observe-se que, em termos de Brasil, os orçamentos nunca são respeitados, podendo ser estimada essa obra em mais de cinquenta bilhões de reais. Imaginemos o que poderia ser feito com esse volume de recursos investido na melhoria da saúde pública ou na educação.

Localmente, podemos citar a construção daquele anexo da Estação Ciência, no Altiplano, a um custo de cerca de vinte milhões, como uma das obras carimbadas como “elefante branco”.

Outro aspecto histórico dessa priorização das obras ao invés de investimentos na qualidade dos serviços públicos é a possibilidade do “retorno” de um percentual da obra para os gestores públicos. Uma brecha na Lei 8666/93 (Lei das Licitações) permite facilmente que o orçamento inicial seja ampliado em vinte e cinco por cento do seu valor, sendo muito comum o uso desse artifício para aumentar o valor inicial da obra. Nos escândalos recentes envolvendo a Petrobrás, um dos problemas é o superfaturamento na obra da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o que teria gerado prejuízos milionários para os cofres públicos.

Dificilmente nessas avaliações sobre a qualidade da gestão pública entram discussões sobre a qualidade do atendimento no serviço público, melhorias na saúde da população, redução dos índices de criminalidade ou maior aprendizagem dos alunos nas escolas públicas.

Por essas e outras, é chegada a hora de estarmos mais atentos a essas obras de necessidade duvidosa que saem do nosso bolso. O foco tem que ser nas pessoas e não no velho lema do Ademar de Barros baseado na política  do “Rouba, mas faz”.

domingo, 7 de setembro de 2014

A SUTILEZA E A MALDADE DA ALIENAÇÃO PARENTAL

A relação entre os membros de uma família é extremamente complexa e difícil naturalmente, mas pode ser mais problemática ainda se houver uma ação sistemática para estremecer a relação dos filhos com o seu pai ou sua mãe, que por força do destino não convive mais com seus filhos.


Nesse sentido é importante uma reflexão cuidadosa sobre um crime capital que acontece cotidianamente no seio da família brasileria. Estamos falando sobre o processo "sutil" e maléfico de ser vítima junto com os seus filhos da alienação parental. Até pouco tempo, não se tinha nem denominação específica para o ato do(a) ex-cônjuge, normalmente, aquele(a) que fica com a guarda dos filhos, ficar sistematicamente "queimando o filme" do(a) outro(a) perante os filhos do ex-casal.

A alienação parental é praticada pelo(a) ex-cônjuge e também pelos seus familiares. As vítimas são crianças inocentes, que são bombardeadas com informações manipuladas. São informações distorcidas que visam prejudicar a imagem  que os filhos têm do cônjuge atingido. São comuns alegações sobre:

- o quanto não gosta dos filhos;
- o ex-cônjuge gostar mais de outros filhos do que dos filhos alvos da alienação parental;
- adulteração de como aconteceu o processo de separação, distorcendo os fatos de forma a prejudicar o outro cônjuge;
- as condições financeiras e o patrimônio do ex-cônjuge;
- favorecimento financeiro de outros membros da família ao invés dos filhos alvos da alienação.

Além dessas formas mais comuns de afastar os filhos do cônjuge vitimado pela alienação parental, também são praticadas outras formas de ordem mais práticas:

- constantes trocas dos dias de encontro do ex-cônjuge com os filhos por motivos banais, visando subtração do direito do convívio;
- redução do horário de permanência juntos entre o ex-cônjuge e seus filhos;
- introdução de outros membros da família na relação com os filhos visando limitar a influência do ex-cônjuge na vida dos filhos;
- impedimento de contato entre os filhos e o ex-cônjuge usando a autoridade de quem cria os filhos;
- restrição de contatos através das redes sociais;
- estímulo ao conflito quando os filhos estão com o ex-cônjuge e sua nova família;
- apoio às pequenas insatisfações e restrição ao diálogo entre o ex-cônjuge e os filhos.

A legislação brasileira ainda engatinha nesses crimes que acontecem dentro dos nossos lares, fazendo com que pais e filhos trilhem caminhos paralelos pelos restos das suas vidas, sem a mínima chance de construir uma relação de amor e respeito entre membros da mesma família.