sexta-feira, 12 de junho de 2009

As crises cíclicas do capitalismo mundial

A grande maioria dos economistas é unânime em avaliar que a crise é inerente ao sistema capitalista.

Se nos debruçarmos sobre os últimos 25 anos, vamos encontrar várias crises vividas pelo capitalismo mundial em maior ou menor grau, mas que afetaram o sistema como um todo.

A diferença das anteriores para a atual é que nesta a crise, a origem do problema veio do centro do capitalismo mundial: Os Estados Unidos.

Vamos relembrar as últimas crises econômicas, suas origens e seus desdobramentos:

1) 1987 no mundo - A crise de outubro de 1987 foi uma crise típica do mercado de capitais que após cinco anos de crescimento contínuo, desabou na Bolsa de Nova York na chamada "segunda feira negra", despencando mais de 22% e repercutindo pelas outras bolsas de valores pelo mundo afora. Durante o mê s de outubro desse ano, as bolsas de 19 dos 23 países mais industrializados do mundo despencaram mais de 20%. A crise de 1987 foi atribuída à supervalorização das ações, à queda do dólar e ao aumento do déficit americano. Em setembro de 1989, o mercado acionário mundial mostrou sinais claros de recuperação. O principal desdobramento dessa crise foi a introdução do do "circuit breaking", uma interrupção do funcionamento das transações nas bolsas de valores em caso de grandes oscilações.

2)1995 - No México - Essa crise começou na verdade em dezembro de 1994 quando o recém eleito presidnete Ernesto Zedillo anunciou uma maxidesvalorização do peso mexicano após um longo período de câmbio fixo. Na origem da crise estava o excessivo gasto público, o grande volume de empréstimos bancários viabilizados pelos juros baixos, queda do preço do petróleo no mercado mundial. Esse cenário criou um clima de desconfiança em relação ao México e fez com os investidores internacionais deixassem de financiar a rolgem da dívida externa mexicana, gerando de imediato um aumento do dólar em relação ao peso de quase 100%. No Brasil, os desdobramentos dessa crise no México ficou conhecido como efeito "tequila". O governo americano e o FMI trataram de viabilizar reforço de 50 bilhões de dólares em empréstimos para o México. Esse empréstimo estabilizou a cotação do dólar e evitou a moratória mexicana, permitindo que o México alcançasse a recuperação em 1997, pagando o empréstimo de 50 bilhões antecipadamente.

3) 1997 - Na Ásia - Comneçou em 1997 na Tailândia, espalhou-se pelo sudeste da Ásia e pelo Japão, trazendo consequências para o mercado mundial. Essa crise foi caracterizada pela redução da demanda de bens e serviços e pela queda da confiança dos investidores. A crise gerou um aumento na proporção da dívida em relação ao PIB em todos os países diretamente afetados. O FMI entrou com empréstimos da ordem de 40 bilhões de dólares para socorrer as economias da Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia. No Brasil, o desdobramento foi o aumento da cotação do dólar, prejudicando milharesa de consumidores que tinham financiado veículos indexados ao dólar, tendo as suas prestações aumentadas vertiginosamente o que provocou muitas discussões na justiça. Em 1999, toda a Ásia já apresnetava sinais claros de recuperação.

4) 1998 - Na Rússia - A crise russa surgida em agosto de 1998, caracterizando-se como um desdobramento imediato da crise asiática por conta principalmente da redução da procura e aquisição do petróleo russo que é uma das mais importantes fontes de divisas advindas da sua exportação. O contexto da crise estava embasado em um grande déficit fiscal, despesas desnecessárias com a guerra da Chechênia, altas taxas de juros (superiores a 150%), queda na arrecadação de impostos e naturalmente dificuldades para honrar compromissos públicos, atrasos de mais de 12 bilhões de dólares em salários e greves generalizadas. O FMI e o Banco Mundial chegaram com um suporte da ordem de 22 bilhões de dólares e mesmo assim a bolsa de valores entrou em colapso, o rublo caiu para um terço do valor original, a inflação chegou a 48% ao ano e vários bancos quebraram. O cenário começou a mudar em 1999 com o aumento do preço do barril do petróleo, permitindo o início da recuperação econômica e o reaquecimento do mercado interno. A crise foi contornada em 2000.

5) 1999 - No Brasil - A crise brasileira vem como um desdobramento das duas grandes crises anteriores (asiática e russa) e da grande desvalorização do real frente ao dólar, após vários anos de manutenção da paridade cambial com a moeda norte-americana. As consequências disso: problemas com os contratos indexados ao dólar feitos por particulares e empresas, dificuldades de manter as importações de máquinas e equipamentos, crescimento do desemprego. Após os momentos iniciais, o governo passou a reduzir os juros e a recompor as reservas cambiais. O país passou a dar sinais claros de recuperação em 2000, conseguindo superar mais essa crise.

6) 2000 - Na Argentina - A Argentina foi o primeiro país da América Latina a adotar aparidade cambial com o dólar e a tomar medidas liberalizantes no início do anos 90 no governo Menem. Por ser um país emergente, a Argentina sofreu as consequências das crises asiática, russa e do Brasil, sendo claro que, em geral, quando um desses países espirra, o outro gripa. O contexto argentino em 2000 era de aumento do desemprego, crescimento da pobreza e aprática de grandes taxas de juros. O FMI interviu com um empréstimo de 40 bilhões de dólares. Em 2001, a Turquia entrou em crise, respingando na Argentina. Protestos de rua, cortes de salários, bloqueio de depósitos bancários ("corralito"), afastamento do presiente De la Rúa e de 3 sucessores dele na presidência em menos de um mês. Implementou-se um lento processo de desdolarização da economia. A posse de Kirchner em 2003 permitiu a negociação com os credores de condições mais favoráveis, viabilizando uma recuperação que se concretizou em 2006.

7) 2001 - Crise Mundial - Essa crise é uma decorrência direta do atentado do World Trade Center no 11 de setembro que ocasionou a morte de mais de 3000 pessoas, trazendo um clima de caça aos terroristas e baixo astral nmos mercados mundiais. As bolsas de valores cairam pelo mundo todo, o preço do petróleo disparou, o dólar desvalorizou-se frente ao iene, ao euro e à libra. Essa crise não teve naiores desdobramentos por conta da ação coordenada dos bancos centrais dos principais países e logo foi superada.

Em linha geral, observamos que todas essas crises recentes levaram em média 2 anos para dar sinais de recuperação. As crises anteriores mostram que as crises são inerentes ao sistema capitalista, que o apocalipse ainda não chegou e que a a recuperação de mais essa crise só deve acontecer a partir de 2010.

Em suma, aperte o cinto, trabalhe e espere que a crise é como dor de cabeça, dói, mas passa logo.


Estamos a disposição para contato através:


Twitter: @professorpaiva;
Facebook: @SeverinoPaiva;
Linkedin: Severino Paiva
ou e-mail: paiva.professor@gmail.com .

Nenhum comentário:

Postar um comentário