sábado, 14 de janeiro de 2017

Junção administrativa de cidades quebradas pode resolver a falência dos pequenos municípios

No auge da crise da zona do euro, pelo menos dois dos países mais encrencados, Portugal e Itália, analisaram a possibilidade de enxugar a estrutura administrativa por meio da fusão de municípios muito pequenos. Se em Portugal a ideia não chegou a ser colocada em prática, na Itália o processo segue em curso, com diversas fusões já ocorridas e outras programadas para entrar em vigor até 2020, normalmente envolvendo cidades que hoje têm algumas centenas de habitantes.

No Brasil, se até mesmo os grandes municípios já sofrem com a crise no setor público, o que dizer dos pequenos, ainda mais vulneráveis? Um estudo do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE) sugere que a fusão, assim como na Europa, poderia ser uma saída para pequenos municípios cuja viabilidade financeira é, na melhor das hipóteses, questionável. O relatório cita 95 cidades (das 399 que existem no Paraná) que têm menos de 5 mil habitantes e poderiam se beneficiar de uma união – o número é um pouco maior que os 76 municípios instituídos no estado desde a Constituição de 1988.

Há casos em que o desmembramento se justifica, especialmente no caso de pequenos distritos que abrigavam atividades geradoras de renda, mas nunca recebiam um retorno proporcional por parte da sede. Mas, em muitas outras situações, a criação de um município ocorria por mero interesse politiqueiro, conveniente a líderes políticos locais e a qualquer um que desejasse se pendurar na estrutura administrativa. A mesma população, gerando a mesma quantidade de riqueza, passou a bancar mais algumas dezenas de prefeitos, centenas de vereadores e secretários municipais, milhares de assessores e assim sucessivamente.
Some-se a isso nosso federalismo de mentirinha, que concentra em Brasília regulações e recursos. Municípios não podem legislar sobre diversos assuntos que lhe dizem respeito porque é infinita a lista de temas que são de competência federal, impedindo a adoção de soluções inteligentes adequadas à realidade local. E a estrutura tributária nacional concentra os recursos na União, em vez de manter o dinheiro dos tributos nas unidades administrativas mais próximas do cidadão. Como resultado, municípios e estados precisam dos Fundos de Participação (o FPE, para estados, e o FPM, para municípios) e outros repasses para fechar suas contas – quando elas fecham. Uma situação de dependência muito conveniente ao poder central, que além de concentrar os recursos ainda empurra cada vez mais responsabilidades para os municípios.
Refazer totalmente o pacto federativo, com mais autonomia para os municípios e a correspondente fatia do bolo fiscal, seria uma grande ajuda para as pequenas cidades; trata-se de algo urgente, embora altamente improvável. Mesmo assim, restaria o problema daqueles municípios que foram criados por mero interesse político, sem a menor preocupação com sua viabilidade econômica e que dificilmente se manteriam em pé sem ajudas ou repasses, prejudicando a população, especialmente a mais pobre, que depende da rede pública de saúde e educação, entre outros serviços.
Uma saída é o estabelecimento de consórcios, em que cidades próximas estabelecem parcerias para oferecer de forma unificada serviços em áreas como saúde e coleta de lixo, oferecendo ganhos de escala e proporcionando economia ao setor público. Mas a fusão pura e simples não pode ser descartada e é uma possibilidade que merece estudo sério, por mais que políticos interessados na manutenção de pequenos currais eleitorais tentem torpedear a ideia no nascedouro. Os dados do TCE merecem um exame mais atento, e talvez os resultados da experiência italiana, quando houver dados consolidados, também ajudem a apontar o melhor caminho a seguir.
Fonte: Gazeta do Povo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Como anda o seu Currículo?

Todo mundo sabe que ter um bom currículo é um dos primeiros passos para encontrar um emprego, mas nem todos se fazem a famosa pergunta: "Meu currículo está bem feito?".
Provavelmente você nem imagina, mas talvez seu currículo já tenha sido descartado de alguma seleção de emprego unicamente por causa da aparência e do excesso (ou falta) de informações apresentadas. Ter experiência e estudos é importante, mas não saber como apresentá-los pode botar tudo a perder.

Obviamente, não existe o currículo ideal. Cada empregador vai olhar de uma forma diferente para o que tiver em mãos. Por isso, o segredo é conhecer bem a empresa onde quer trabalhar e estruturar as informações de acordo com o perfil do lugar - e jamais mentir no CV, é claro!

Lembre-se de que provavelmente o responsável por analisar currículos tem bastante material em mãos. Centenas e centenas de outros currículos disputando espaço com o seu. Como se sobressair? O que fazer para ser notado em meio a essa multidão?
O primeiro passo é buscar um equilíbrio: nem detalhes em excesso, nem informação de menos. Nem tão longo, nem tão curto. Usar a objetividade é o primeiro passo. Informações bem estruturadas ajudam a capturar de imediato o olho do seu futuro empregador.
Mas existem outros segredos que envolvem a confecção de um bom currículo. Vamos desvendá-los ponto a ponto a seguir!

1.    Economize na quantidade de dados pessoais
Não precisa encher o currículo com todos os tipos de dados pessoais. O possível empregador não precisa saber do seu RG, CPF, tampouco do nome dos seus pais antes mesmo de contratá-lo. Em vez disso, coloque apenas:
>Nome completo
>E-mail
>Telefone de contato
>Endereço do seu perfil em redes profissionais, como o LinkedIn (se tiver). Evite incluir perfil de redes sociais pessoais.
>Cidade onde mora
>Idade ou data de nascimento (opcional)
Aqui vale uma observação importante : cuidado com os nomes que você usa em e-mails e endereços de redes sociais. Apelidos de internet ou associações com personagens de filmes, quadrinhos e videogames podem passar uma impressão negativa ao avaliador. Para parecer mais profissional, crie um endereço apenas com o seu nome real e nenhuma informação a mais.

2.    Especifique uma área de atuação
Depois dos dados pessoais e antes da descrição de suas experiências e formação, é legal apresentar uma área de atuação bem definida, com bom destaque, usando poucas palavras. Essa informação deve comunicar, de maneira rápida e genérica, com o que você trabalha. Exemplo:
-Redes Sociais e Publicidade Online
-Recursos Humanos e Gestão de Pessoas
-Finanças e Controladoria
-Enfermagem e Acompanhamento de Saúde
Este não é o espaço para informar o cargo desejado (gerente de compras, assistente comercial, analista de redes sociais). É importante saber diferenciar cargos de áreas de atuação!

3.    Descreva sua Formação
Descreva, de forma sucinta, seus cursos de graduação e pós-graduação. Utilize os seguintes dados e use sempre a ordem do mais recente para o mais antigo. Veja como fazer:
-Modalidade do curso
-Título do curso
-Instituição
-Local do Curso
-Período do curso (se já está concluído ou ainda em conclusão).
Exemplo:
-Mestrado em Biologia Marinha - Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) - 2015 (em curso)

-Graduação em Ciências Biológicas - Universidade Cruzeiro do Sul (São Paulo/SP) - 2011 - 2014.

4.    Faça um resumo das suas qualificações
Usando poucas palavras, faça um resumo das suas principais qualificações, descrevendo as áreas de atuação e seu papel em cada uma delas. Exemplo:
-Redes Sociais: produção de conteúdos, interação com o público no Twitter e no Facebook, gerenciamento de crises, encaminhamento de solicitações.

-Publicidade Digital: experiência em publicidade do Google, definição de campanhas, planejamento de custos 
.
Evite colocar uma lista muito grande de qualificações, mesmo que sejam importantes. Escolha apenas aquelas que têm mais a ver com a empresa onde você concorre a uma vaga.

5.    Capriche na experiência profissional
Essa é uma das partes mais importantes do seu currículo, é preciso tratá-la com atenção especial. Aqui devem entrar suas experiências mais atuais e relevantes.
A ordem das experiências deve ser sempre da mais recente para a mais antiga.
Os dados que devem aparecer são:
-Nome da empresa onde trabalha ou trabalhou
-Período em que trabalhou nesta empresa (ou se ainda está nela)
-Brevíssima descrição da empresa
-Último cargo ocupado ou função realizada
-Descrição das suas atividades nesta empresa
Exemplo:
Mídia Digital Ltda. (2011-2015)
Empresa especializada na produção e execução de campanhas de mídias sociais para grandes corporações.
Cargo : Gestor de mídias
Atividades :
Gerenciar a produção de campanhas online dos principais clientes da empresa.
Desenvolver relatórios de produção, com análise crítica e recomendações.
Gerenciar equipes de produção de conteúdos (texto e imagens) para veiculação na internet.
Outra informação importante: se você tem muitas experiências anteriores ou fora da área para a qual você disputa uma vaga, deixe-as para lá. Não precisa criar uma lista enorme de empresas só para provar que tem experiência. Escolha as cinco mais relevantes para detalhar, mesmo que sejam antigas.

6.    Cursos e outras atividades
Se você tem cursos técnicos, experiências internacionais, ou participação em eventos que possam turbinar as chances de ganhar a vaga, liste-os no fim do currículo. Não precisa encher de detalhes nem fazer uma lista comprida de eventos. Basta colocar o título, a instituição, o local e a data. Exemplo:
-Curso de formação em monitoria de redes sociais, pelo Instituto Internacional de Mídia. Fortaleza (CE), 2014.

-Curso avançado de gerenciamento de redes, pela Associação Brasileira de Mídia Digital. Florianópolis (SC), 2015.

7.    Esqueça as fotos e outros recursos gráficos
Não ponha fotos no currículo, a menos que seja exigido pela empresa. E no caso de ter que incluir sua foto, tente usar uma simples em que você pareça natural e simpático. Evite selfies , fotos em trajes de banho, em viagens ou festas. Uma simples imagem com boa luz e fundo neutro podem contar muito mais a seu favor.
Também não precisa utilizar recursos gráficos para enfeitar o currículo. Bordas, elementos florais, fontes diferentes, efeitos de sombra, excesso de cores, enfim. Seja simples.
A fonte do texto deve ser sóbria também. Evite as cursivas, que parecem escritas à mão, ou muito enfeitadas - elas podem provocar dificuldade de leitura.

8.    Observe a linguagem!
Nada mais comprometedor para um profissional do que apresentar um currículo com erros de português!
Invista em uma revisão detalhada de todo o seu currículo. Se não tem certeza sobre a grafia de determinada palavra, consulte-a em algum dicionário online. Se é inseguro para escrever, peça a ajuda de alguém especializado. Só não vale enviar currículo com erros para o avaliador.

9.    Observe o formato
Se você não for designer, artista ou arquiteto, que geralmente têm currículos mais gráficos (os chamados portfólios), procure não inventar formatos diferentes para impressionar o avaliador.
O segredo do sucesso é, muitas vezes, não ter medo de parecer comum: faça a diagramação das informações usando o tamanho A4 - que é o padrão no Brasil - e utilize fontes com pouca diferença de tamanho nos títulos e textos. Tente concentrar as informações em, no máximo, duas páginas. Nada de tentar impressionar pelo volume!
Para imprimir, vale a pena usar um papel A4 branco de melhor qualidade, com uma gramatura levemente mais alta que o padrão. Esses papéis são facilmente encontrados em papelarias.

10.     Simplicidade é o melhor caminho
Currículos imensos, cheios de palavras difíceis e detalhes desnecessários não impressionam ninguém - pelo contrário, se perdem na pilha de outros currículos. Às vezes, na tentativa de chamar a atenção do avaliador, acabamos exagerando na quantidade de informações e o resultado disso é que o documento acaba na lata do lixo.
Use palavras simples e corriqueiras, fuja dos rebuscamentos e da tentativa de "parecer inteligente". Seja prático, objetivo. Passe a ideia de eficácia. Uma boa carreira começa sempre com um bom currículo! Boa sorte!


Fonte: www.terra.com.br – Guia de Carreira

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Resolvendo a evasão no ensino superior retardando o momento da escolha profissional

Quem não se lembra de sua angústia para escolher qual curso fazer no momento do velho vestibular? Eu tive dúvidas entre engenharia, direito e administração, tendo escolhido engenharia mecânica, cursado um ano apenas e acabei fazendo outro vestibular para ciência da computação, sendo este o curso que acabei por concluir.

Conheço várias outras pessoas que passaram por coisas semelhantes, gerando uma taxa de abandono do curso escolhido que tem girado em torno de 40% (quarenta por cento), o que se configura em uma taxa altíssima, gerando prejuízos enormes para os estudantes e para as instituições.

A nossa proposta é que os alunos no momento da conclusão do ensino médio escolham uma grande área profissional, sendo exemplos as áreas de humanas, biológicas e exatas. Escolhida a grande área, os  alunos  cursariam dois anos de conteúdos básicos dessa área e após esse período, os alunos escolheriam os cursos em função das suas notas.

Com essa medida, os estudantes teriam dois anos para conviver com o ambiente universitário, conhecer seus laboratórios, travar contatos com os professores e colher maiores informações sobre os cursos da sua grande área, permitindo uma escolha mais embasada e madura.


sábado, 7 de janeiro de 2017

MEC flexibiliza utilização das notas do ENEM por instituições públicas


Uma Portaria recente do MEC, que foi publicada no dia 05 de janeiro de 2017, traz novas regras para o Sistema de Seleção Unificada (SISU), permitindo que as instituições públicas ganhem mais flexiblidade no uso das notas do ENEM para selecionar candidatos.

A partir de agora, as instituições poderão fixar  notas mínimas globais ou por áreas como critérios de seleção para seus cursos, sendo possível combinar variações dessa regra para selecionar candidatos.

Na sistemática anterior, as instituições definiam o peso e as notas mínimas exigidas em cada prova do ENEM na hora de calcular a nota final do estudante no SISU e, a partir daí, selecionar os "feras" classificados para suas vagas com base nessa pontuação.

Em termos práticos, uma instituição poderá selecionar um candidato que não foi tão bem em uma determinada área, mas obteve uma boa pontuação nas demais, possibilitando a aprovação do mesmo para cursos identificados com o seu melhor desempenho, devendo propiciar o preenchimento de vgas que antes ficavam ociosas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Solução Simples para melhorar Programa Bolsa Família

Todos nós somos sabedores da ineficiência da política pública de transferência de renda, que se chama Bolsa Família. São cerca de 10 (dez) milhões de famílias que recebem mensalmente valores dos cofres públicos sem maior exigência de contrapartida desses beneficiários. Podemos dizer que o Brasil virou refém do programa Bolsa Família, sendo um exemplo disso o ocorrido nas últimas eleições presidenciais, quando a candidata Dilma Rousseff acusou o seu principal oponente, Aécio Neves, de querer acabar com o programa, caso fosse eleito, gerando corridas frenéticas às agências da Caixa Econômica Federal para sacar o benefício mensal.
            Para participar do programa Bolsa Família, tem-se que comprovar a pertinência à parcela mais pobre da população e mensalmente comprovar a frequência regular da criança beneficiada na escola. O critério necessidade tem sido burlado com frequência pelos gestores municipais do programa Bolsa Família, sendo inúmeras as denúncias e flagrantes de descumprimento desse critério. O critério frequência escolar é fraudado pela falta de compromisso das escolas públicas em exercer o controle de frequência dos alunos participantes do Bolsa Família e pela incompetência do Governo Federal em “administrar” decentemente tal banco de dados.

            A nossa proposta para resolver essa questão é a transformação do Programa Bolsa Família em Programa Bolsa Escola. O governo federal, por uma questão de urgência, editaria uma medida provisória fazendo a transformação do Programa Bolsa Família em Programa Bolsa Escola, exigindo a matrícula das crianças beneficiadas na escola, como também frequência mínima de 90% (noventa por cento) na escola. Adicionalmente e concomitantemente, a criação do Exame Nacional do Bolsa Escola (ENBE) através do qual seriam avaliados os alunos participantes em termos de  aprendizagem escolar. O ENBE seria aplicado no meio do ano e no final do ano. Bons resultados gerariam premiação para estudantes, pais e escolas. Maus resultados gerariam um acompanhamento social e educacional dos estudantes e suas famílias, podendo até levar à exclusão do programa, em casos de reiterados resultados negativos. Adicionalmente, acreditamos que seria muito interessante o endurecimento das punições para as fraudes usuais do programa, como a  inserção de famílias fora da faixa exclusiva de atendimento e o  não registro das faltas dos alunos participantes por parte das escolas.

            
            Com essa iniciativa simples estaríamos dando sentido ao programa de transferência de renda, que é a sinalização da necessidade do envolvimento da família e da escola no processo de ascensão social dessas famílias carentes através da educação, gerando uma porta de saída efetiva de um programa meramente assistencialista, como é o caso do Bolsa Família.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sorvete como primeira refeição do dia torna o cérebro mais ativo durante o dia

Um estudo liderado pelo japonês Yoshihiko Koga, da Universidade Kyorin de Tóquio, relatou que tomar sorvete no desjejum torna as pessoas “mais inteligentes”.
As pesquisas indicaram que as funções do cérebro ficaram mais rápidas e desenvolvidas nas pessoas que tomaram sorvete no café da manhã.
Para o estudo, os especialistas japoneses confrontaram os efeitos cerebrais de um grupo que comeu três colheradas de sorvete como a primeira refeição do dia e de outro que fez o desjejum com outras comidas.
Todos os participantes da pesquisa se submeteram a testes digitais após o café da manhã. Os que tomaram sorvete se demonstraram mais espertos, proativos e velozes para completar os testes. E, para comprovar que os efeitos não eram simplesmente causados pelo fato de “tomar algo gelado” de manhã (e provocar um efeito de despertar), os testes foram feitos novamente, mas trocando o sorvete por água gelada. Os resultados dos cobaias que tomaram água até tiveram algum desempenho melhor, mas não alcançaram os níveis do “gelato”. As conclusões do professor psicofisiologista Koga, que estuda a interação da psique com o corpo físico, mostram o nível das ondas alfas do cérebro aumentaram consideravelmente. Essas ondas são responsáveis pela concentração e organização cerebral. (ANSA).
Fonte: http://www.revistamenu.com.br/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Professor: Profissão Desvalorizada

O que você quer ser quando tiver 30 anos?

A pergunta foi feita pela OCDE aos jovens de 15 anos avaliados, no ano passado, no Pisa, exame aplicado a cada três anos que busca medir a qualidade da educação nos países.

Uma parcela expressiva dos adolescentes brasileiros demonstrou interesse em trabalhar na área científica: 38,8% contra 24,5% do total na média das nações desenvolvidas.

Em 2006, o percentual de adolescentes brasileiros que queria seguir carreira em ciências era de 33,5%. O interesse elevado e crescente de nossos jovens por ciências, no entanto, não teve nenhum efeito sobre seu desempenho na área.
O conhecimento dos nossos alunos em ciências está simplesmente estagnado há uma década. O mesmo ocorre com sua aprendizagem em leitura: parada desde 2000. Em matemática, depois de uma evolução significativa entre 2003 e 2012, voltamos a estacionar.

Se a explicação para nosso fracasso educacional não está no interesse de nossos alunos por temas relevantes para o mundo atual como ciências, onde se encontrará?

Na trajetória de nossos gastos, talvez? Esse indicador é, afinal, muitas vezes citado como solução para todos os males educacionais.
A resposta, no entanto, tampouco parece estar aí. O investimento brasileiro por aluno de 6 a 15 anos equivalia a 32% da média dos países ricos da OCDE em 2012. Em três anos, essa fatia saltou para 42%. O Chile com gastos quase iguais ao nossos tem desempenho acadêmico muito melhor.

Podemos procurar uma pista para a estagnação brasileira na diferença de desempenho entre nossos alunos pobres e ricos. Mas a busca também não nos leva longe. Essa desigualdade existe, obviamente, e é enorme. Sua capacidade de explicar a trajetória das notas dos nossos alunos, porém, tem decrescido.
O nível socioeconômico dos alunos brasileiros respondia por 17% de seu desempenho em ciências em 2006. Em 2015, passou a ser responsável por 12,5% do resultado.

São outras questões relacionadas à qualidade do ensino, portanto, que elucidam a falta de progresso educacional dos adolescentes brasileiros.
A formação dos nossos professores pode ser uma delas. O percentual de docentes de ciências com graduação na área era de apenas 33% no Brasil contra 73,8% na média dos países ricos, em 2015.

Isso ajuda a entender porque 17% dos brasileiros de 15 anos dizem que seus professores nunca explicam ideias científicas nas aulas dessa disciplina. Nos países desenvolvidos, essa parcela cai para 11%. E, na Finlândia, uma superpotência educacional, é de apenas 5,7%.

Indicadores como esses contribuem para a compreensão de um dos dados mais chocantes das inúmeras tabelas divulgados pela OCDE nesta terça-feira (dia 6). No Brasil, muitos jovens querem trabalhar como engenheiros, médicos e arquitetos.
A parcela dos alunos brasileiros de 15 anos que declara interesse pelo magistério, porém, é zero.

Fonte: www.folha.com.br