sexta-feira, 10 de março de 2017

Resultado do ENADE mostra 11% dos cursos com conceitos 1 e 2

Um novo retrato dos cursos de graduação no Brasil mostra que somente uma minoria dos avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2015 alcançou as notas máximas. Além disso, nos últimos quatro anos, se manteve estável o total de cursos com resultados insatisfatórios. De acordo com um dos cenários, 11,3% dos cursos ficaram com as notas mais baixas (1 e 2) e somente 1,2% alcançaram nota 5, a máxima possível.

A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, diz que avaliação mostra que "temos uma grande maioria de universidades que está num patamar bom." Segundo ela, a concentração de nota 3 "não indica uma mediocridade, mas um patamar bom".
Os dados divulgados pelo MEC nesta quarta-feira (8) tomam por base as provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2015, a mais recente da série, e também outros dados coletados pelo governo federal. Ao todo, o ministério divulgou nesta manhã três indicadores, todos baseados de alguma forma no Enade. São eles:
  • Conceito Enade (CE) - baseado exclusivamente no resultado da prova que avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências adquiridas em sua formação.
  • Conceito Preliminar do Curso (CPC) - Considera o desempenho dos estudantes no Enade, além de corpo docente, infraestrutura, recursos didático-pedagógicos e demais itens.
  • Índice Geral de Cursos (IGC) - Considera uma média ponderada das notas dos cursos de graduação no CPC e da avaliação dos cursos pós-graduação de cada instituição junto a Capes.
Conceito Preliminar do Curso
Índice Geral de Cursos (IGC)
Conceito Enade
  1. Administração
  1. Administração Pública
  1. Ciências Contábeis
  1. Ciências Econômicas
  1. Comunicação Social - Jornalismo
  1. Comunicação Social - Publicidade e Propaganda
  1. Design
  1. Direito
  1. Psicologia
  1. Relações Internacionais
  1. Secretariado Executivo
  1. Teologia
  1. Turismo
  1. Comércio Exterior
  1. Design de Interiores
  1. Design de Moda
  1. Design Gráfico
  1. Gastronomia
  1. Gestão Comercial
  1. Gestão da Qualidade
  1. Gestão de Recursos Humanos
  1. Gestão Financeira
  1. Gestão Pública
  1. Logística
  1. Marketing
  1. Processos Gerenciais

  1. Em 2016, a prova avaliou estudantes de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social e zootecnia. Também estão na lista aqueles que estudam em cursos que conferem diploma de tecnólogo nas áreas de agronegócio, estética e cosmética, gestão ambiental, gestão hospitalar e radiologia.

De acordo com cada caso, cursos com notas insatisfatórias podem receber sanções do MEC. Uma delas é o impedimento da abertura de novas vagas ou de fechamento de parcerias com Prouni ou Fies.
O Secretário da Educação Superior, Paulo Barone, disse nesta quarta-feira, durante coletiva em Brasília, que estão mantidas as suspensões na participação de programas do governo federal para essas instituições com indicadores insuficientes.
Sobre as instituições com conceitos 1 e 2, considerados insuficientes, o chefe de gabinete da Secretaria de Regulação e Supervisão de Educação Superior (Seres), Rubens de Oliveira Martins, diz que as medidas variam de acordo com os casos.
"Se houve repetição, se houve uma tendência de melhorar o indicador, para cada uma dessas situações temos uma normativa. Com dois anos consecutivos com notas abaixo do suficiente, as instituições entram em medidas cautelares. O MEC irá verificar, dá um prazo para essa instituição melhorar, mas fica suspensa autonomia universitária até avaliação melhorar. Pode haver suspensão de processos seletivos, por exemplo. No pior dos mundos, a universidade pode ser descredenciada."
"A lógica da nossa avaliação não é punitiva. Todas as medidas são, no fundo, em defesa do ensino que é ofertado para o aluno", afirma a presidente do Inep, Maria Inês Fini.
Em 2015, o MEC avaliou 8.121 cursos de 26 áreas (veja lista abaixo) em 2.109 instituições de ensino superior públicas e privadas. Participaram 447.056 universitários. A cada ano, o Enade é obrigatório para estudantes de determinados cursos de graduação.
No Conceito Preliminar de Curso (CPC), que avalia exclusivamente o nível dos graduandos e a estrutura da instituição, as notas possíveis variam entre 1 e 5. O MEC considera insuficiente qualquer conceito com notas 1 e 2.
Segundo o MEC, o desempenho insatisfatório, com notas abaixo de 3, foi verificado em 893 cursos de graduação, o equivalente a 11% do universo avaliado em 2015.
Os dados de 2015 mostram ainda que só 27,7% dos cursos tiveram notas acima da média (4 e 5). Os considerados excelentes, com nota máxima (5), representam apenas 1,2% do total.
O restante – 26,5% dos cursos – recebeu conceito 4. A maioria dos cursos avaliados, no entanto, (57,7%) ficou com nota 3, considerada como a média. Outros, 0,3% dos cursos tiveram conceito 1, e 3,2% ficaram sem conceito.
A lista de cursos avaliados muda a cada ano, por isso, as avaliações não podem ser comparadas. Ela só foi possível, entre os anos de 2012 e 2015 (conforme tabela acima), pois se tratava do mesmo grupo de cursos avaliados.
"Nós gostaríamos de frisar que considerando que o CPC, por exemplo, advém 55% das provas dos estudantes, não é possível, portanto, comparar os indicadores com os anos anteriores", diz Mariângela Abraão, coordenadora geral de controle de qualidade do MEC.
O MEC também divulgou o resultado do Índice Geral de Cursos (IGC), que considera em conjunto o desempenho da pós-graduação e da graduação. A maior concentração de notas acima da média (4 e 5) foi observada nas instituições públicas. Um total de 28% das instituições públicas receberam nota 4, contra 15% das particulares. Na faixa da nota máxima (5), estão 4,9% das instituições públicas; contra 0,6% das privadas.
Do total de instituições de ensino superior avaliadas, 85% tiveram desempenho satisfatório (com notas igual ou acima de 3) e 15% foram classificadas como "insatisfatórias" (notas inferior a 3).
As instituições privadas lideram a concentração das notas 3, que estão na média, com 68,9%; contra 53,7% das públicas. No conceito 2, considerado abaixo da média, a maior concentração também é da rede particular: 14,7% das privadas receberam esta nota; contra 12,3% da rede pública.
O índice também varia entre 1 e 5. O MEC considera insuficiente qualquer conceito abaixo de 3.
O levantamento de qualidade do ensino superior realizado pelo MEC apresenta ainda um recorte específico somente a partir do desempenho na prova do Enade (sem considerar avaliação de estrutura, como no CPC, ou nota da pós-graduação, como no IDG). No Conceito Enade, em 2015 somente 5% dos cursos alcançaram nota 5, a máxima possível. Notas 1 e 2 foram obtidas por 30,3% dos cursos.
Áreas avaliadas no Enade 2015
No ano passado, o MEC criou critérios para apurar irregularidades praticadas pelas instituições de ensino no Enade. A medida visa a evitar fraudes que acabavam interferindo na nota obtida pelas faculdades.

Fonte: globo.com

quinta-feira, 9 de março de 2017

ENEM - Mudanças para 2017

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 será realizado em dois domingos consecutivos: 5 e 12 de novembro. No ano passado, a prova foi aplicada em um fim de semana (sábado e domingo, 5 e 6 de novembro). A modificação integra uma lista de novidades divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (9).
As demais mudanças foram:
·                   Primeiro domingo terá linguagens, ciências humanas e redação, com cinco horas e meia de prova; no segundo, matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia de prova
·                   Cadernos de prova serão personalizados, com nome e número de inscrição na capa e cartão de respostas
·                   Passam a ser isentos da taxa de inscrição também aqueles que tiverem cadastro no CadÚnico (que reúne famílias de baixa renda)
·                   Não serão divulgados dados do Enem por escola
·                   Isentos do pagamento da inscrição que não comparecem perdem direito ao benefício no ano seguinte se a ausência não for justificada
·                   Enem não valerá como certificado do ensino médio
·                   Solicitação de tempo adicional para atendimento especial deve ser solicitada na inscrição
·                   MEC diz que estudantes recusaram, em consulta pública, possibilidade de fazer a prova no computador
Ministério da Educação apresenta mudanças no Enem para 2017
A decisão de alterar o esquema de datas do Enem foi tomada após a realização da consulta pública sobre o exame, entre os dias 18 de janeiro e 17 de fevereiro. Dos mais de 600 mil participantes, 63,70% votaram que o Enem deveria ocorrer em dois dias e 36,30% opinaram que deveria ser aplicado em um dia só.
Em seguida, aqueles que participaram da consulta pública tiveram de responder à seguinte questão: “Caso o exame continue sendo aplicado em dois dias, qual formato deverá ser realizado?”.
A maior parte (42,30%) optou que ele ocorresse em dois domingos seguidos – por isso, o MEC implementou a mudança.
Em segundo lugar, ficou a opção de um domingo e uma segunda-feira (que se tornaria feriado escolar), votada por 34,10% dos participantes. Por último, restou a alternativa de manter-se o esquema até então vigente, de sábado e domingo, com 23,60% dos votos.

Sabatistas
Uma das consequências da realização do exame somente aos domingos é atender uma antiga reclamação dos candidatos sabatistas – por causa da religião, eles só podem estudar ou trabalhar aos sábados após o sol se pôr.
Consequentemente, todos os anos, eles entram no local de prova às 13h (horário de Brasília) e ficam isolados em uma sala até as 19h, quando começam o exame. No Acre, por exemplo, por causa do fuso horário, o tempo de espera é de 9 horas.
De acordo com o Inep, isso faz com que cada candidato sabatista custe para o governo R$ 16,39 a mais do que os demais participantes, devido às despesas extras trazidas pela aplicação do exame à noite no sábado. No Enem 2016, os 76 mil sabatistas que fizeram a prova acarretaram um gasto de aproximadamente R$ 646 mil.

Redação muda de data
O MEC não mudou total de questões ou qualquer item de conteúdo, mas mudou o dia da prova de redação. Antes, a redação era cobrada no segundo dia, junto com as 45 questões de matemática e as 45 de linguagens. Na configuração anterior, nesse dia os alunos tinham cinco horas e meia de prazo.
Agora, redação, linguagens e ciências humanas serão os temas do primeiro domingo. Com a alteração, o primeiro dia de provas passa a ter duração de cinco horas e meia de prova. Uma semana depois será feita a prova de matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia para realização.
A diagramação das provas também será alterada, buscando uma apresentação "mais amigável", segundo o Inep.

Inscrições
As inscrições para o Enem 2017 ficarão abertas entre os dias 8 e 19 de maio de 2017. O edital com mais informações sobre o exame será publicado até o dia 10 de abril, segundo o MEC.

Isenção da taxa de inscrição
De acordo com a pasta, continuarão isentos da taxa de inscrição os concluintes do ensino médio de escolas públicas, os candidatos com renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio e aqueles que cursaram o ensino médio completo em escola da rede pública ou como bolsista integral de escola privada.
A novidade do Enem 2017 é que passam a ser isentos também aqueles que tiverem cadastro no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal), que reúne famílias em situação de pobreza e pobreza extrema. Para comprovar o dado, o candidato deverá informar, no ato da inscrição, o NIS (número de identificação social) – o sistema permitirá a busca automática.

Data do resultado
Os resultados do Enem 2017 serão divulgados em 19 de janeiro de 2018. Os candidatos continuarão podendo acessar o resultado por área de conhecimento e o desempenho individual.

Fim do 'ranking' do Enem por escola
O MEC também decidiu que não haverá mais o resultado do Enem por escola – dado que costuma ser disponibilizado anualmente. A lista é popularmente conhecida como "ranking" do Enem por escolas.
Sobre a exclusão desse dado, a presidente do INEP Maria Inês Fini afirmou que a mudança é uma reivindicação antiga dos especialistas em educação. "O Enem não avalia escola, avalia o estudante e isso é só um dos muitos indicadores para poder avaliar uma escola".
Ainda sobre o cancelamento do resultado por escola o ministro da Educação, Mendonça Filho afirmou que "o ranking das escolas que é utilizado como propaganda, e não é missão do Estado brasileiro estabelecer esse ranking. Produzia um desserviço e uma desinformação. "

Ausência
O candidato que obtiver a isenção da taxa de inscrição e não comparecer à prova perderá o benefício no Enem 2018, caso queira solicitá-lo novamente. A exceção ocorrerá nos casos em que o indivíduo justificar sua ausência por meio de atestado médico ou documento oficial que comprove a impossibilidade de seu comparecimento. Antes, bastava fazer uma autodeclaração com a justificativa da ausência.

Estrutura da prova e segurança
Os participantes do Enem 2017 receberão cadernos de prova personalizados, com o nome e o número de inscrição escritos na capa, juntamente com os cartões de resposta encartados, que também levam os dados do candidato.
Continuam havendo quatro cadernos diferentes, identificados por cores, para manter a segurança do exame.

Certificação do ensino médio
O MEC já havia informado que o Enem não poderia mais ser usado como certificação do ensino médio. A partir de 2017, os jovens poderão obter o documento pelo Encceja (Exame Nacional de Certificação De Competências de Jovens e Adultos) – tanto para ensino fundamental quanto para ensino médio.

Atendimento especializado
Aqueles candidatos que precisarem de atendimento especializado na prova, como no caso daqueles que têm alguma deficiência, deverão fazer a solicitação de tempo adicional no ato da inscrição, apresentando um documento que comprove a necessidade do benefício.
No Enem 2016, o requerimento era feito nos dias de aplicação do exame – foram 68.907 solicitações na última edição da prova.

Reforma do ensino médio
É importante esclarecer que as mudanças no Enem 2017 não têm relação com a reforma do ensino médio. O MEC lembra que ainda é preciso concluir a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento que lista os conteúdos obrigatórios a serem ensinados nas escolas, para que as instituições de ensino tenham tempo de ensinar essas matérias em sala de aula. Só depois é que ocorrerão mudanças no conteúdo do exame.

Prova virtual
Outra questão levantada pela consulta pública diz respeito à realização da prova por computador. O MEC já havia avisado que, caso a mudança fosse aprovada, não seria implementada antes de 2018. Mas os participantes votaram contra a prova virtual: 70,10% disseram não a ela.
Sobre o resultado, o ministro se disse surpreso e afirmou ainda acreditar que a medida será inevitável. "De fato foi uma surpresa, eu imaginava que a maioria indicaria o computador como mecanismo para aplicação da prova e aí contradiz um pouco ou bastante a própria tendência do jovem. De um lado acho que há sempre um receio com relação à segurança, de que o computador poderia facilitar fraudes e, de outra parte, o medo com relação ao novo. O ser humano gosta do novo, mas ele não gosta de ousar. Eu acho que é uma coisa inevitável, não sei em quanto tempo a gente vai conseguir promover essa mudança, mas ela virá", disse o Mendonça Filho.

Consulta pública

O MEC realizou uma consulta pública sobre o Enem do dia 18 de janeiro até 17 de fevereiro. Os participantes, após preencherem um formulário com nome completo, e-mail e CPF, responderam três questões:
- A primeira questionava se o exame deveria continuar ocorrendo no formato atual, em dois dias, ou se aconteceria em um dia só, com um número reduzido de questões. A intenção, conforme declarado pelo ministro Mendonça Filho, era estudar a possibilidade de haver economia nos custos de segurança e de volume de papel.
Segundo o Inep, especialistas contratados pelo governo garantiram que não haveria redução na qualidade do exame caso ele ficasse concentrado em uma jornada. Em janeiro, o MEC reforçou que não haveria a possibilidade de eliminar a redação do Enem.
- A segunda questão era sobre a possibilidade de aplicação da prova por computador. A pasta afirmou que, caso a mudança fosse aprovada, não seria implementada antes de 2018, por exigir uma nova demanda de infraestrutura e de modificação no sistema de segurança do Enem.
- A última pergunta da consulta pública permitia que o participante escrevesse contribuições para o aprimoramento do exame.

 Fonte: Globo.com

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Acadêmicos de Medicina continuam envergonhando nos exames do CREMESP

Quando, pela nona vez, em dez anos mais da metade dos médicos recém-formados é reprovada no exame de avaliação do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, o alerta, que já era intenso, fica ensurdecedor. 
Na versão de 2016, cujos resultados foram anunciados na semana passada, dos 2,677 mil profissionais que se submeteram à prova, 56% (1.511) não chegaram na nota mínima. Isso significa que acertaram menos de 60% das 120 perguntas do teste. Erraram coisas básicas: 80% não souberam interpretar uma radiografia; 63% não conseguiram ler corretamente uma tomografia abdominal e 70% não sabiam a resposta certa sobre o que fazer diante de um paciente com crise hipertensiva. O pior desempenho foi entre os egressos de faculdades privadas (66% foram reprovados).
Os números evidenciaram a urgência da adoção de medidas que melhorem a formação médica no Brasil. Mudar a forma de apresentação do conteúdo aos estudantes está entre os passos necessários. “O método de ensino tradicional, com o professor na sala de aula, apresentando slides, por exemplo, não funciona. A retenção de informação é baixa”, afirma Alexandre Holthausen, diretor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, em São Paulo. Entre os formatos ideais, estão aqueles que facilitam o trabalho em grupo e incentivam a solução de casos a partir das informações recebidas. Este aspecto, particularmente, é muito importante, uma vez que está demonstrado que muitos dos novos médicos não conseguem associar os dados para formular um diagnóstico.
Só aprovados
Introduzir a interdisciplinaridade é outro passo vital. “O ensino fragmentado leva ao aprendizado segmentado”, diz Holthausen. Mais um ponto a ser melhorado é a avaliação ao longo do curso. “Não se ouve falar em aluno de medicina reprovado”, afirma Bráulio Luna Filho, diretor do Cremesp e coordenador do exame. “Isso precisa mudar. Se não aprendeu, não avança.” Os especialistas sugerem que o acompanhamento da evolução do estudante seja constante para evitar que ele se forme sem ter noções básicas de medicina.
A entidade paulista defende que só exerçam a profissão os estudantes aprovados em avaliações feitas por entidades representativas, nos mesmos moldes dos aplicados pela Ordem dos Advogados do Brasil. Há um projeto de lei nesse sentido sendo formulado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Fonte: www.istoe.com.br

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Brasil é o pais da repetência

O censo escolar levanta ano a ano, escola a escola, dados que ajudam a dimensionar o quanto o Brasil avançou – ou não – na quantidade e na qualidade do ensino. Na edição que o Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), divulga nesta quinta-feira, há um dado que, mesmo tendo jeitão de reprise, deve vir aos holofotes como um aviso de que há algo de muito errado por aqui: a repetência no país continua entre as mais altas do mundo. Trata-se de um indicador inequívoco do baixo nível das escolas brasileiras.
Os números confirmam que o Brasil está ainda muito longe do que propõe o Plano Nacional de Educação: no papel, 95% dos alunos deveriam concluir o ensino fundamental na idade adequada até 2024; na realidade, 23% (quase um de cada quatro estudantes) que cursam o 9º ano em colégio público repetiram pelo menos uma vez ao longo de sua vida escolar. A diferença para as escolas particulares merece ser ressaltada pelo fosso que as separa: na rede privada, 7% tiveram a mesma trajetória.
“O alto índice de alunos repetentes sinaliza que o professor não está ensinando, o aluno não está aprendendo e o Brasil joga dinheiro fora num sistema inoperante”, resume a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães. Em 2015, a repetência dragou cerca de 30 bilhões de reais dos cofres públicos (está incluído aí o preço de pagar duas vezes pelo mesmo aluno). O economista americano Eric Hanusheck, especialista em derrubar os costumeiros mitos que pairam sobre a sala de aula, costuma dizer: repetir custa caro ao aluno e ao país. E pior ainda, é um ciclo vicioso. Repetência chama repetência. Mas que fique claro: a ideia não é passar todo mundo de ano baixando a régua. Escola boa é aquela que consegue evitar este desfecho sem abrir mão de metas elevadas.

Fonte: www.veja.com.br