terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ESCLARECENDO AS AVALIAÇÕES DO MEC PARA O ENSINO SUPERIOR

Tenho observado nos últimos tempos uma série de confusões e manipulações na divulgação dos resultados das avaliações do MEC sobre a qualidade de ensino das instituições e dos cursos superiores no Brasil.

Com este texto, pretendo levar um pouco mais de esclarecimento sobre a questão e com isso, permitir que a população em geral possa entender e avaliar melhor as instituições e os seus cursos, sem serem induzidas a avaliações equivocadas pelo marketing educacional.

O governo Lula instituiu o SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação – em substituição ao antigo Provão do governo FHC. O SINAES é uma avaliação mais completa, levando em conta outros critérios de análise (projeto pedagógico, responsabilidade social, infraestrutura, qualificação docente etc) além da mera avaliação do aluno.

O SINAES é composto por algumas avaliações isoladas:

1 - ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – prova obrigatória aplicada aos alunos concluintes e ingressantes dos cursos de graduação. Em função do desempenho, os cursos são avaliados em uma escala que vai de 1 a 5. Todos os anos algumas áreas são avaliadas de tal forma que no intervalo de 3 anos todos os cursos superiores são avaliados através da aplicação do exame nos alunos ingressantes e concluintes.

2 - CPC – Conceito Preliminar de Cursos – Avalia individualmente os cursos superiores, considerando o desempenho dos estudantes no ENADE, avaliação dos alunos sobre as condições do curso, infraestrutura, corpo docente etc. O CPC além da nota do ENADE, mede também o grau de satisfação do aluno com a sua faculdade. A escala do CPC também vai de 1 a 5.

3 - IDD – Índice de Desenvolvimento Discente – Avalia o conjunto dos alunos do curso em comparação com o conjunto dos alunos que fizeram o ENADE, permitindo avaliar a capacidade do curso em agregar conhecimento aos alunos ingressantes em comparação com o desempenho dos formandos. O IDD mostra a capacidade da IES transferir conhecimento ao seu aluno ao longo do curso. O IDD também vai de 1 a 5.

4 - IGC – Índice Geral de Cursos – Avalia a instituição de uma forma mais ampla, computando os resultados de todos os cursos no ENADE, corpo docente, pós-graduação, infraestrutra etc. O IGC faixa é calculado na escala de 1 a 5.

5 - CI – Conceito Institucional – Avaliação in loco feita pelos especialistas do MEC para validar ou não o IGC. O CI varia de 1 a 5.

A figura a seguir, extraída da Folha Online, relaciona esses índices:


As notas 1 e 2 são consideradas ruins e põem as instituições na mira do MEC, podendo até, em casos extremos, fechar os cursos enquadrados nessas notas. A nota 3 é considerada uma nota regular. As notas 4 e 5 são as melhores, embora mais raras de serem obtidas.


A análise dessas notas do SINAES permitem a comparação entre as instituições, no todo, ou seus cursos, isoladamente.

Se o objetivo for avaliar apenas a instituição, o interessado deve focar no IGC e no CI, embora esses índices possam, em alguns casos, ter pouca ou nenhuma conexão com o dia a dia do futuro aluno. Por exemplo, não adianta ter muitos professores doutores, se eles não dão aula na graduação, conforme acontece em algumas instituições. Algumas instituições perdem pontos nestas avaliações por não oferecerem cursos de pós-graduação. Outro exemplo, que pode ser dado em contraponto é o fato de se estabelecer comparações entre instituições diferentes e em momentos distintos, isto é, comparar faculdade isolada, centro universitário e universidade. É como se você fosse na feira e comparasse o preço da batata com o preço da banana. Essa comparação pode ser útil no atacado ao final da feira, mas não se presta para comparar dois produtos isoladamente. Há casos em que instituições com avaliações menores nos índices gerais conseguem oferecer cursos melhor avaliados do que as suas concorrentes mais maduras institucionalmente.

Se o objetivo for comparar dois ou mais cursos de graduação, compare o CPC, o IDD e a nota do ENADE. Essas notas estabelecem uma comparação direta entre dois cursos semelhantes. Outra ponderação importante neste quesito é a observação do nível da clientela que ingressa no curso. Normalmente, as federais, por exemplo, têm os melhores alunos advindos do ensino básico as particulares ficam, na média, com os alunos menos preparados. O IDD de um curso mostra o quanto a IES agrega conhecimento ao aluno que se forma em relação ao aluno calouro. Se a instituição for particular, também vale a pena comparar os valores das mensalidades para estabelecer a relação custo/benefício.

No mais, faça uma visita à instituição, converse com alguns ex-alunos, procure fazer um diagnóstico comparativo e faça a escolha mais conveniente para o seu interesse. Não se deixe levar pelas aparências e pelo marketing eficiente e prédio bonito. Marketing e prédio bonito não educam, apenas enganam o ego.

Lembre-se de que, no final das contas, a instituição é um mero complemento porque quem faz o curso é o aluno com a sua garra em busca de aprender e crescer. Um aluno desinteressado em uma excelente IES não superará nunca um aluno dedicado em uma instituição mediana.


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Olhos de Kombi fazendo caixa

Naquele país distante, em uma das suas províncias, havia um vereador, médico veterinário, sendo conhecido pela alcunha de “Olhos de Kombi”. Como médico veterinário, era incansável e não media esforços para salvar os animaizinhos. Conta-se que certa vez invadiu um centro cirúrgico de um hospital para cirurgiar e salvar um cachorro. O que pegou é que o centro cirúrgico era de um hospital para humanos.

O nobre parlamentar era detentor de uns 3 mandatos e tinha esse apelido por conta dos olhos grandes e esbugalhados, principalmente, quando era contrariado. Quando sofria uma derrota em uma votação, o velho Olhos de Kombi ficava uma fera.

Cansado do dia a dia da câmara municipal, o vereador estava pensando em ser candidato a deputado nas próximas eleições e precisava desesperadamente fazer caixa para a campanha que seria duríssima. Descobriu que um prefeito do interior cobrava para dar uns mil votos algo em torno de cem mil Rublos. Pelas contas do vereador, ia precisar de uns 20 mil votos para alcançar a vaga na assembléia, sendo necessários mais de 500 mil rublos para eleger-se ao tão almejado cargo.

Andou pensando e achou uma oportunidade: havia uma discussão em torno da legalidade e moralidade na cobrança da taxa de estacionamento do único shopping da província. Veio a idéia brilhante: apresentaria um projeto proibindo o shopping de cobrar pelo estacionamento. Ganharia notoriedade junto ao eleitorado ou uma boa grana se conseguisse chantagear o shopping para que o projeto não fosse aprovado.

Mandou um emissário ao dono do shopping. Malaquias era o vereador mais antigo, o mais malandro e que era doido por grana. Malaquias foi até o dono do shopping. Feita a proposta, o empresário pragmático topou de imediato porque não queria perder a boa receita do estacionamento. Olhos de Kombi receberia 100 mil rublos, o emissário recebeu 20 mil, o relator do projeto recebeu 10 mil e os demais vereadores necessários à aprovação receberam 5 mil rublos cada.

No dia da votação, o relator ia apresentando o seu parecer pela inconstitucionalidade do projeto, enquanto isso, Olhos de Kombi, sentado no fundão do plenário, estava muito tranqüilo em ser derrotado. Não parecia aquele cara explosivo, às vezes, até meio louco, quando contrariado.

O projeto foi derrubado, o shopping continuou cobrando pelo estacionamento, Olhos de Kombi permaneceu muito sereno com um sorriso maroto no canto da boca, mas com os bolsos cheios de grana para ajudar no embate eleitoral que estava por vir.