segunda-feira, 18 de março de 2013

CLIMA DE GUERRA NA SALA DE AULA


Vivemos em uma sociedade que se demonstra claramente incompetente para estabelecer limites para uma juventude cada vez mais clamorosa por liberdades sem a natural assunção das suas consequências. Estamos perdidos na tarefa de  educar nossos filhos e alunos. A luta pela sobrevivência e pela garantia das “necessidades” impostas por uma sociedade de consumo, nos leva ao fundo do poço na árdua tarefa de formar as gerações futuras. Há apenas algumas décadas, os pais tinham mais tempo para dedicar à criação das suas proles. Hoje, as crianças estão por conta própria, em creches ou nas mãos de babás ou profissionais congêneres. Simplesmente os pais não têm mais tempo para dedicar ao acompanhamento do crescimento dos seus filhos.
Nesse contexto, observa-se uma crescente complexidade na relação docente-discente que vem  desafiando educadores na difícil tarefa de fazer com que tenhamos parâmetros justos de compreensão, métricas corretas de avaliação, critérios razoáveis que balizem um relacionamento decente e produtivo entre os dois lados integrantes  do processo ensino-aprendizagem.

São cada vez mais comuns os desencontros dentro e fora das salas de aula, que têm gerado violência e tensão em uma relação que deveria ser amigável e de companheirismo. Não há respeito mútuo na relação entre mestres e educandos ao ponto de sermos chocados  por atos violentos de lado a lado, sendo comum, com a universalização da Internet,  tomarmos conhecimento de agressões de ambos os lados da relação. Uma dessas agressões brutais foi a aplicação de um soco de direita por um adolescente em uma indefesa professorinha sexagenária, que foi a nocaute sem a menor chance de defender-se. Outro fato que ocupou as manchetes dos portais e jornais foi a humilhação que uma professora de uma universidade federal impôs a uma de suas alunas durante uma aula. Os relatos de agressões e conflitos são incontáveis.

Um dos principais desdobramentos desse clima conflituoso é a piora dos índices de aprendizagem. Esse desempenho pífio é atestado pelo desempenho dos estudantes brasileiros nos testes internacionais da OCDE, tais como o PISA. Temos figurado sempre  entre os últimos colocados nos testes de leitura, matemática e ciências. Notícia recente da UOL (http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/03/18/redacoes-nota-maxima-no-enem-tem-erros-como-enchergar-e-trousse.htm?cmpid=ctw-educacao-news)  dá conta de que redações que obtiveram notas máximas na redação do ENEM continham erros grosseiros de português, permitindo inferir que as correções das redações deixam muito a desejar até mesmo em uma ferramenta governamental que serve de instrumento de acesso para as universidades públicas.

Precisamos de uma cruzada pela educação para que possamos construir o Brasil do futuro o quanto antes. Esse processo de construção de um Brasil  melhor passa pelo resgaste da dignidade da profissão docente. Os governos nas diversas esferas de gestão precisam acabar com a cultura de fazer de conta que tudo está bem, enquanto os nossos professores são agredidos, maltratados e nossos jovens praticam o desrespeito e o descaso com o seu futuro.

terça-feira, 5 de março de 2013

Nova Doença digital: o zumbi eletrônico!


 

Segundo o filósofo grego Aristóteles, em sua obra Política, o ser humano é um animal social, necessitando do convívio social para atingir a sua plenitude.  Nessa busca pelo amadurecimento, o ser humano precisa interagir com os demais. Gestos simples como tocar, olhar nos olhos do outro, conversar e abraçar fortalecem o ser humano. Essa interação social tem sido determinante para sermos o que somos enquanto raça.

Nos tempos atuais, vivemos em um mundo marcado fortemente pelo individualismo, pela desagregação familiar, pela supremacia do materialismo, pelo culto ao supérfluo, pela ilusão do mundo das drogas, pela falta de diálogo, pela criminalidade e pela violência. O que é pior de tudo isso é que a globalização generaliza todos esses males, fazendo com eles sejam onipresentes em todos os cantos do planeta.

Para piorar esse contexto ruim, venho observando que há uma espécie de “zumbi eletrônico” cada vez mais comum entre nós. Ele está na nossa casa, no nosso trabalho e nas nossas reuniões sociais. Você deve conhecer alguém com os sintomas dessa nova doença epidêmica que vem assolando a nossa população. Fique atento para os seguintes comportamentos: ausência de contato pessoal; predominância de contato virtual; dependência de equipamentos eletrônicos nas mãos (celular, tablete etc.); respostas monossilábicas  ou inexistentes na interação com parentes e amigos;

Nos encontros pessoais, essas pessoas isolam-se em um canto e ficam em contato com o seu mundo virtual. Troca-se o contato pessoal com as pessoas pela interação virtual nas redes sociais. Dentre os zumbis eletrônicos, há a predominância de jovens, mas também temos zumbis coroas. Essa doença está crescendo assustadoramente entre nós, acabando com o convívio familiar e entre amigos.

Precisamos enfrentar esse problema antes que seja tarde. Proponho mais momentos de interação presencial. Desliguemos os nossos aparelhos eletrônicos por algum tempo ao longo do dia para potencializarmos o contato com as pessoas queridas. Vamos valorizar mais aqueles momentos em que estamos juntos com quem é importante em nossas vidas. Se pensarmos bem, talvez amanhã não tenhamos outra chance de dizer o quanto amamos a pessoa que está na nossa frente porque ela pode não estar mais aqui.